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terça-feira, 20 de novembro de 2012

Mito do Sol

(Representação Lenda do Sol)
Para os índios o sol era gente e se chamava KUANDÚ. Kuandú tinha três filhos: um é o sol que aparece na seca; o outro, mais novo, sai na chuva  e  o filho do meio ajuda os outros dois quando estão cansados.
Há muito tempo um índio Juruna teria comido o pai de KUANDÚ.Por isso este queria se vingar. Uma vez  Kuandú  estava bravo e foi para o mato pegar coco. Lá encontrou Juruna em uma palmeira inajá. Kuandú disse que ele ia morrer, mas Juruna foi mais rápido acertando Kuandú com um cacho na cabeça. Aí tudo escureceu. As crianças começaram a morrer de fome porque Juruna não podia trabalhar na roça e nem pescar. Estava tudo escuro. A mulher de Kuandú mandou o filho sair de casa e ficou claro de novo. Mas só um pouco porque era muito quente para ele. O filho não aguentou e voltou para casa. Escureceu de novo. E assim ficaram os 3 filhos de Kuandú. Entrando e saindo de casa. Portanto, quando é seca e sol forte é o filho mais velho que está fora de casa. Quando é sol mais fraco é o filho mais novo. O filho do meio só aparece quando os irmãos ficam cansados. (http://www.istoeamazonia.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=42&Itemid=58 Acessado ás 17:11 no dia 10/11/2012)

O Lobisomem da Pedreira

(Reprodução "Lobisomem da Pedreira")
Sabemos dos poderes sobrenaturais. Homens que entregam suas almas nas sexta-feira, em uma encruzilhada para ter sorte no jogo ou felicidade no amor.... Isto explicaria a sorte extraordínaria de certos indíviduos no carteado ou ainda o fato de homens feios horrorosos mesmo serem amados tão apaixonadamente por lindas donzelas... 
Mas, ás sextas-feiras, quando se aproxima a meia noite, o preço da sorte é pago... e vem a transformação em Lobisomem. "Gostava de andar sozinho pelas ruas do bairro da Pedreira, principalmente em noite de lua cheia. Era meio esquisito, o rapaz: cor parda, estatura média, cabelos castanho-escuro, crespos, falava baixo e nunca encarava as pessoas. O que tornava mais esquisito, porém, era uma mancha preta que tinha na testa e que, começando na raiz do cabelo, estendia-se até chegar aos olhos e também os dentes irregulares numa grande boca de grosso lábios". Este seria o retrato que poderia ser tirado do personagem desta história, afirma Guapindaia Assu de Moraes, nosso informante, e prossegue a narração. Naquele ano de 1946, um dos muitos clubes da Pedreira preparava seus craques para campeonato de dominó, que seria realizado no mês de Agosto. Enquanto isto, la fora, a lua cheia daquela sexta-feira passeava tranquilamente em seu itinerário pelo céu, transformando a noite em dia prateado. 
Os galos, ao longe, cantavam... Identificou-se, sentado á mesa de jogo, bastante nervoso, consultando constantemente o relógio. Pensavam que seu estado era dividido a disputa e que olhava o relógio com receio de não dar tempo de jogar. E dado o momento, repentinamente, debruçou-se á mesa; parceiros, adversários, "olheiros" e "perus", todos esperando pela sua jogada e nada...! Continuava debruçado. 
E começou a tremer, tremer, a tremer.... e espumava...aos poucos, seu físico foi se transformando, enquanto emitia sons, mistos de ronco de porco e guincho de animal acuado... e levantando a cabeça! TODOS recuaram horrorizados, enquanto parceiros mais adversários levantavam-se como se por raios fossem impelidos, lá estava o companheiro de jogo: os olhos saltavam e faiscavam, os dentes haviam crescido, parecendo presas, os cabelos desciam de suas testa através do sinal escuro, as mãos metamorfosearam-se em garras.... Numa espécie de "salve-se quem puder", os frequentadores abandonavam apressadamente a sede do club, derrubando mesas e cadeiras, saltando janelas, espremendo-se pela porta. 
Do estranho se emitiu um rugido aterrador, e disparado em direção a porta a fora correu em direção ao mato que crescia mais adiante. Tremendo muito e ainda em choque com o acontecido, o sócio-contínuo do club, que era cunhado de Guapindaia (O nosso "Informante"), ao lhe contar a história, afirmou: Foi uma coisa horrível, o Homem transformou-se um uma criatura aterradora que jamais pensei existir, um lobisomem em nossa frente,na frente de todos,meu Deus que coisa Horrível! Claro, que Podemos também considerá-lo como um Mito. (http://darkrockbelem.blogspot.com.br/2010/04/lendas-urbanas-o-lobisomem-da-pedreira.html Acessado ás 18:22 no dia 14/11/2012)

A Moça sem face

 (Representação Moça sem Face)
Vinícius era soldado do Núcleo do Parque de Aeronáutica de Belém. Brincalhão, bom camarada, era querido por seus companheiros de farda e superiores. Contador de anedotas, onde estivesse nos momentos de folga sempre tinha uma roda em volta. Estudante, fizera até a 4ª série ginasial antes de ingressar na caserna. Festeiro, frequentador das gafieiras de Belém, principalmente as do bairro de Marco, da Pedreira e de Canudos, era tido como bom dançador de merengue. Quantas vezes Vinícius não "pulou" serviço para "balançar o esqueleto" num dançará suburbano! Em várias ocasiões esteve para ser preso por tal motivo. Nunca dava alterações de outra natureza, mas se sabia que havia um "samba", Vinícius, estivesse ou não de serviço, ia bater lá. Fugia do quartel e ingressava triunfalmente na sede onde se ouvia o La Bamba ou outro sucesso musical da época. Depois, era arranjar uma "amiguinha" e pronto... veria depois.
Conhecia as histórias de aparições que se contavam do Parque, mas não lhes dava muita importância. Pelo menos dizia. E afirmava mesmo que, se visse alguma coisa, ia dirigir-se e pergunta:

- Que é que tu qué, meu irmão? Reza, missa, diz lá o que é. Se tu já morreste, fica pra lá. Não vem perturbar os vivos.


E, brincando sempre, levava tudo na gozação. Só que, no dia em que viu alguma coisa, que pensou depois ser assombração, não fez nada do que disse.


Ninguém podia duvidar que ele era corajoso. Disto já era provas em diversas ocasiões. E brigava bem.

Num dia de folga, em que os "dançarás" não funcionavam, Vinícius saiu trocando pernas pelo bairro do Marco. Desceu a Almirante Barroso e já se aproximando ao Largo de São Braz encontrou uma garota de branco, com o vestido clássico de "merengueira": decotado, curto para a época em que ainda não havia minissaia. Vinícius pensou: - Taí, vou "baixar" nesta "miquimba".

E dirigiu-se à moça.

- Que é que há, minha filha? Noite tá fria, boa pra fazer neném, hein?

Vinícius era assim. Nada de meias palavras. Era objetivo, direto, "entrava forte" mesmo.

A moça permaneceu como estava. Respondeu ao cumprimento e foi o bastante para o soldado colocar o braço pela suas costas. Conversa vai, conversa vem, Vinícius falando sempre, e a moça respondendo mais por monossílabos.

Saíram andando em direção a Canudos, pois ela havia dito que morava "para lá" indicando com o braço a entrada daquele bairro. O soldado tentara beijá-la várias vezes, e a moça sempre virava para o lado, de modo que Vinícius praticamente não pôde ver-lhe o rosto.

- Mas tu é metida a virgem, hein! E dizendo isto Vinícius tirou o braço das costas da moça, segurando-lhe a mão. Ao primeiro contado, Vinícius sentiu-se arrepiar: a mão da moça parecia gelo. Mas procurou raciocinar. Ora, a noite estava fria.

Naturalmente era por esta razão. Mesmo assim Vinícius começou a arrepender-se de ter "baixado" naquela "miquimba".

Continuaram andando Canudos adentro, na direção do Bairro de Santa Izabel. Vinícius falou:

- Mas tu mora longe, menina. Puxa vida! Depois de uma caminhada dessas, se tem de descançar. Porque, do contrário, o neném que a gente vai fazer já vai nascer cansado!

- Já estamos perto de onde moro. É logo ali.

Ao chegarem a uma esquina, a jovem parou.

- Rapaz, tu és muito corajoso! Gostei de ti, sabes? Mas é melhor que te vás embora. Não quero que te aconteça nada de mal.

Vinícius ficou admirado do rumo das coisas. A moça continuava de lado, sem virar-se de frente.

- Mas que é que me pode acontecer de mal? Tu é amigada? Ou é de teu "xodó" que tás com medo? De qualquer forma, se tu quisé ir comigo, é só dizer que vou. Ninguém é mais homem do que eu. Logo, digo pra ele que tu quiseste vir e pronto! E se ele quisé se balançar, não te incomoda que não vou apanhar, não.

- Não é nada disso. Não tenho "xodó", nem ninguém. Apenas deves ir embora. Eu te admirei muito e por isto estou sendo tua amiga. Eu não posso ir contigo, nem tu deves ir onde moro.

Estou falando para teu bem. Adeus.

Ante ao desfecho inesperado, Vinícius titubeou um momento. Em seguida, segurou a moça violentamente pelo braço, puxou-a, colocando-a a sua frente, enquanto falava:

- Tu não vais me...

As palavras morreram em sua boca. Ia dizer: - Tu não vais me fazer de besta, não! Mas o que viu deixou-o paralisado. Quando terminou o movimento e ela ficou de frente, olhou para o seu rosto, procurando-lhe os olhos e então viu que sua face era alguma coisa informe, ou melhor, era como se ela não a tivesse. 
Aterrorizado, Vinícius recuou. A moça calmamente virou de costas, começou a andar, dizendo:


- Eu te avisei...

E dobrou a esquina.

Vinícius estava apavorado. Contudo, refletiu um momento e, sendo corajoso, rapidamente seguiu-a.

Para surpresa de Vinícius, não havia ninguém. A moça havia sumido. Ainda chegou a pensar que havia entrado numa casa qualquer próxima à esquina. Certificou-se que tal não tinha acontecido, que a moça sumira mesmo. Vinícius ficou todo arrepiado. Quis se mexer e não conseguiu. Só então tomou consciência que estava próximo ao Cemitério de Santa Izabel.

Quando pôde se mexer, Vinícius saiu em desabalada carreira por dentro de Canudos e, sem parar,subiu a Almirante Barroso até o Parque de Aeronáutica.

Foi surpresa geral quando Vinícius chegou todo afobado, cansado, gaguejando e sem conseguir dizer nada. Os poucos soldados que estavam acordados providenciaram água com açúcar, e, depois de muito tempo, conseguiu relatar sua história, jurando que todo aquele tempo estivera conversando com um fantasma.

Apesar de sua expressão de pavor, alguns ficaram incrédulos.

- Só depois é que reparei que ela não virava o rosto na minha direção. Aliás, não lhe vi a face.

E era gelada, meu irmão, vou te contar. Esta mulher não era gente viva, não era, não! Eu é que não quero acordo com estas coisas.

Trocaram com Vinícius.

- Taí, tá vendo o que dá andar querendo conquistar todo mundo? Vai nessa, vai!

Daí em diante, Vinícius, quando queria "baixar" em uma "miquimba", olhava seu relógio. Se era tarde da noite, podia ser a mulher mais linda do mundo, que Vinícius ficava fora da jogada...e dizia:

- Eu, hein! (http://espiritolivrerpg.rpgonline.com.br/2011/12/lendas-urbanas-de-belem-moca-sem-face.html Acessado ás 11:12 no Dia 10/11/2012)

terça-feira, 6 de novembro de 2012

O Mito de Boiúna

(Representação "Cobra Grande")
A Boiúna, de mboi, "cobra" e una, "negra", também conhecida como boiaçú, de mboi e açú, "grande", ou ainda cobra-grande é, segundo Câmara Cascudo, o mais poderoso e complexo dos mitos amazônicos, exercendo grande influência nas populações às margens do rio Amazonas e suas proximidades.

Faz parte do ciclo dos mitos d'água, de que a cobra é um dos símbolos mais antigos e universais. Senhora dos elementos, a cobra-grande tinha poderes cosmogônicos, explicando a origem de animais, aves, peixes, o dia e a noite. Mágica, irresistível, polimórfica, aterradora, a cobra-grande tem, a princípio, a forma de uma sucuri ou uma Jibóia comum.

Com o tempo, adquire grande volume, abandona a floresta e vai para o rio. Os sulcos que deixa à sua passagem transformam-se em igarapés. Habita a parte mais funda do rio, os poções, aparecendo vez por outra na superfície. É descrita como tendo de 20 metros a 45 metros.

Marítimos que fizeram aumentar o medo que os indígenas tinham do monstro, com as dimensões multiplicadas pelo terror. Chamavam-no de Mãe-d'água e Mãe-do-rio, mas as histórias só mencionavam a voracidade da cobra-grande, arrebatando crianças e adultos que se banhavam. Recusavam-se a matar a cobra, porque então era certa a própria ruína, bem como de toda a tribo. (http://pt.fantasia.wikia.com/wiki/Boi%C3%BAna, Acessado em 06/11/2012, 20:34)

O Mito do Curupira

(Representação "Curupira")
Na maioria das versões do mito, o Curupira é um menino pequeno ou um anão, de cabeleira vermelha, que tem os pés invertidos com os calcanhares voltados para trás. Essa imagem está de acordo com o significado de seu nome, que é formado de "curu", uma contração de "curumim", que significa "menino" e "pira" que quer dizer corpo. Daí "curupira" dar a entender algo como "corpo de menino", ou criatura com corpo de menino.

Em outras variantes do mito, porém, o curupira chega a ser um gigante. Suas características, por sinal, vão se modificando de acordo com os deslocamentos geográficos, conforme ensina o folclorista Luís da Câmara Cascudo. Em algumas regiões do Pará, ele tem quatro palmos de altura. No rio Negro, é calvo e tem o corpo peludo; no Solimões tem dentes azuis e orelhas grandes.

Não importam as variações, ele sempre tem os pés ao contrário, o que talvez se justifique por sua função de protetor das árvores, dos animais e da mata. Deixando rastros inversos, o curupira desorienta os caçadores e os faz se perder na floresta. Para confundi-los ainda mais, ele usa assobios que parecem vir de um lugar, quando, na verdade, vêm de outro.
O curupira também costumava ser a explicação de rumores misteriosos na floresta, desaparecimento de caçadores, perda de rumo ou esquecimento do caminho. Segundo algumas lendas, o curupira faz acordo com os caçadores, providenciando armas infalíveis para a caça, em troca de alimentos, de fumo ou de cachaça.

A oferenda de presentes no mato, para fazer o curupira acalmar-se e não atacar os seres humanos, é uma prática registrada entre os índios e mesmo entre os seringueiros e roceiros do Amazonas. Contudo, mudam os presentes: os índios oferecem colares, pulseiras e enfeites plumários, ao passo que os caboclos oferecem comida, bebida ou fumo. (http://educacao.uol.com.br/folclore/curupira.jhtm, Acessado em 04/11/2012, 14:21)